Você sabe porque precisamos comer proteína? Mari Scaldini te convida para uma reflexão sobre a origem e importância da proteína na nossa alimentação.

O QUE É A PROTEÍNA?

As proteínas são macromoléculas (moléculas grandes) orgânicas, formadas obrigatoriamente pelos elementos carbono (C), hidrogênio (H), oxigênio (O) e nitrogênio (N) e, eventualmente, por enxofre (S), fósforo (P), cobre e outros elementos.

As macromoléculas são resultantes da associação de duas ou mais unidades moleculares menores (monômeros) chamadas de aminoácidos ou peptídeos. Essas macromoléculas podem ser denominadas ainda como cadeia polipeptídica.

O QUE SÃO OS AMINOÁCIDOS?

A estrutura química básica de uma proteína é formada por aminoácidos que são moléculas combinadas por carbono, hidrogênio, oxigênio e nitrogênio.
Os aminoácidos possuem um grupo carboxila (de um ácido carboxílico) e um grupo amino (de uma amina).

Na natureza, existem diversos aminoácidos e, entre eles, 20 tipos são muito comuns nos organismos vivos. Desses, nove tipos não são produzidos pelo ser vivo (aminoácidos essenciais) e 11 são produzidos pelo organismo (aminoácidos não essenciais):
Porém ambos são essenciais para nosso “corpixo”.

Os essenciais têm esse nome porque precisamos adquiri los dos alimentos.
Os não essenciais são porque nosso corpo consegue forma-los a partir dos outros aminoácidos que já estão no nosso corpo.

MAS COMO FAÇO PARA TER PROTEÍNA NO MEU CORPO?

O nosso corpo não absorve a proteina inteira, que é um macronutriente. Assim o sistema digestivo tem que quebrar esse macronutriente proteína em moléculas menores, chamado aminoácidos.

E novamente nosso “corpixo” super inteligente faz as combinações necessárias para a formação das nossas células, músculos, tecidos, órgãos, de acordo com sua estrutura celular e necessidade.

Na dieta vegana, o esses aminoácidos são ingeridos, principalmente, através das leguminosas, oleaginosas, verduras e legumes. Cada um dos alimentos contém uma quantidade e diversidade de aminoácidos.
Por isso da importância da ingestão de quantidade e diversidade desses alimentos.

As leguminosas são a principal fonte de aminoácidos, em termos de quantidade e diversidade por porção. Lógico que cada leguminosa tem o seu percentual.

O grão de bico, o feijão branco, o feijão vermelho, o feijão fradinho e a soja são os TOP. Junto vem o espinafre, alguns temperos, oleaginosas.

Assim o total de aminoácidos ou proteína ingeridos é calculado pelo total de todos os alimentos que você ingeriu ao longo do seu dia que contém alguma quantidade dos mesmos.

MAS QUAL É A IMPORTÂNCIA?

Grande parte das nossas células, e essas formam músculos, órgãos e tecidos, são constituídos por aminoácidos, o que significa que realizam muitas funções importantes no nosso corpo.

As funções principais das proteínas:

  • Defesa: os anticorpos são proteínas que têm a função de combater microrganismos invasores no organismo;
  • Estrutural: as proteínas participam da constituição estrutural de diversas partes do organismo, como ossos, tendões, etc;
  • Regulação: os hormônios são proteínas que apresentam diversas ações básicas na manutenção do metabolismo;
  • Transporte: na membrana celular, existem proteínas que realizam o transporte de substâncias (ex: nutrientes) do interior para fora e de fora para dentro da célula;
  • Enzimática: as enzimas são proteínas que promovem o aumento da velocidade de uma reação química intra ou extracelular;
  • Contráteis: algumas proteínas participam do processo de contração muscular

Portanto, percebemos como são importantes na nossa dieta alimentar diária.

QUAL A PROPORÇÃO DE CONSUMO DIÁRIO?

Não precisamos entrar na neura. Pois como já disse, o nosso corpo é inteligente e armazena de várias formas aminoácidos para o consumo caso a gente não venha a supri-lo naquele dia da quantidade necessária.

Mas é importante deixar no radar e nos organizar para ingerir diariamente alguma leguminosa e sempre muitos legumes e verduras. O que além de lembrar das oleaginosas e temperos verdes.

O cálculo do total de aminoácidos ingerido é baseado em todos os alimentos que você comeu ao longo do seu dia que contém alguma quantidade de aminoácido (proteína).

A complexidade desse cálculo requer um atendimento individualizado com especialista.
Pois cada ser humano é único e demanda uma quantidade e diversidade de aminoácidos a depender da sua estrutura corporal, estilo de vida, atividade física, como cuida da sua alimentação e outros fatores.

PROTEÍNA ANIMAL vs. VEGETAL:

Vamos focar no olhar nutricional, sem entrar na temática ambiental, ética, relacional, espiritual/ religiosa, energética.

A diferença quando falamos da ingestão de alimentos não processados que contêm proteína animal ou vegetal…

A questão é que junto com a proteína escolhida vem outras substâncias:

ANIMAL:
proteína de mais difícil digestão e de quebra das moléculas para virarem aminoácidos (pois é assim que nosso corpo absorve).
Gordura saturada
Colesterol
Hormônios e antibióticos
Toxinas produzidas durante o processo de apodrecimento da carne dentro do nosso sistema digestivo.

VEGETAL:
Proteína de fácil digestão e quebra molecular
Fibras
Folato
Potássio
Ferro
Zinco
Magnésio
Outras vitaminas e minerais.
Antioxidantes
Enzimas

Para concluir, existem muitas formas de trazer o olhar para determinados assuntos, e existem inúmeras fontes de informação e pesquisas.

Nós como indivíduos somos únicos como corpo humano, como valores e ética, como histórico de vida, propósito, como estilo de vida, e temos o poder do nosso livre arbítrio para fazer nossas escolhas. O certo e errado, o que é bom ou ruim para você, é você que tem que se conhecer e escolher.

Portanto, cabe a você escolher como deseja nutrir seu “corpixo”, que te proporciona viver nesse Mundão e fazer tantas coisas incríveis nessa vida! E uma última reflexão: dizem por aí que a proteína boa vem do boi, do frango, do porco. Mas você sabe o que eles comem para ter proteína em seus corpos? Aí vem o raciocínio. Eles comem vegetais. Se eles comem vegetais para ter proteína, porque nós, humanos, não podemos comer vegetais para ter proteína?

Texto de Mari Scaldini