Neste post da série especial, contamos a história de uma mulher que nos mostra na prática, no dia a dia do Centro Inkiri, como a energia e a presença feminina são essenciais para a regeneração do planeta.

Foto da Maira Sagnori segurando uma muda de planta, parte da série Mulheres Inkiri: voz em mãos

Há sete anos, Maíra Sagnori planejava fazer mestrado na Amazônia. Concluiu sua formação em Ciências Biológicas pela Universidade Federal do Rio de Janeiro acreditando que poderia mudar o mundo a partir da transformação das paisagens, e partiu de férias em uma jornada que alterou os rumos da sua vida. Durante uma passagem pela Bahia, começou uma grande transformação pessoal e coletiva ao encontrar a Comunidade Inkiri, de quem recebeu a confiança e um dos papéis de guardiã das suas terras.

Maíra conta que acampava enquanto fazia uma jornada pelos 60 quilômetros de praia que ligam Itacaré a Barra Grande. E que, ao chegar ao ponto em que o rio Piracanga se torna um com o mar, algo mágico aconteceu.

“Não tinha visto que havia uma construção ali. A gente parou, e uma mulher falou que tinha como passar pela balsa da pousada. Aí a gente falou: ‘Tem uma pousada! Então tá, vamos lá ver’. E ela falou: ‘vocês não conhecem Piracanga? É um lugar muito especial’. E aí a gente veio, e logo a gente viu que era uma ecovila”.

Na época, Maíra já tinha tido contato com agroflorestas e agricultura familiar junto a cooperativas e associações de agricultores da região periurbana do Rio de Janeiro, e também com a comunidade tradicional dos Caiçaras da Península de Joatinga, em Paraty, para quem escreveu uma cartilha de plantas medicinais. “Com um grupo muito bom, transformamos uma área de aterro em uma floresta linda no Rio de Janeiro. Essa foi a minha primeira experiência de transformar a paisagem de um lugar”, detalha.

Tocada pelos valores das experiências anteriores, Maíra participou de uma festa de Réveillon no período de cinco dias em que ficou em Inkiri Piracanga, e continuou sua jornada. “Fui para uma outra vivência, que também foi muito importante na minha história. Foi uma experiência com o Movimento dos Sem Terra. Foram 18 dias nesse estágio, que inclui uma formação. Então, deu para entender as necessidades reais, a luta e o histórico deles. Foi muito forte”.

Foto de Maíra plantando uma muda com uma criançaEla explica que entrar em contato com a força da Bahia, do Nordeste, e da agricultura familiar com a qual já estava trabalhando nos coletivos de que fazia parte, além de passar por vivências transformadas, foi suficiente para retornar ao Rio de Janeiro apenas para colar grau. “Era só o que estava faltando lá. A minha ideia, naquele ano, era fazer mestrado na Amazônia. Eu pensei que poderia tirar um mês para passar em Inkiri Piracanga. E aí eu desisti do mestrado e fiquei aqui, onde venho criando desde então o que hoje é o Ecologia Inkiri”.

O propósito inicial do trabalho de Maíra era plantar árvores. Transformar a paisagem do lugar era o seu entusiasmo inicial. Ela conta que, aos poucos, foi usando toda bagagem que tinha e o que foi aprendendo para criar novas soluções em saneamento ecológico, para gestão de resíduos e compostagem. Foi aí que começou a entender que criar uma floresta não é só plantar árvores.

“A gente também precisa se tornar seres da floresta. Faz parte disso que a gente esteja incluído no ciclo natural e que o nosso impacto esteja fazendo parte desse ciclo natural. Você anda pela mata e você não vê um acúmulo de esgoto ou de lixo. Existem resíduos, detritos, e tudo está ciclando. A nossa ideia é criar sistemas que sigam esses princípios da natureza e que tornem a nossa ocupação bem linda para esse ecossistema. É isso que a gente está conseguindo”.

Paralelamente, outras transformações também foram acontecendo. “No meio disso, em Inkiri Piracanga também encontrei um trabalho de autoconhecimento e espiritual muito profundo. No primeiro ano, fiz um processo de Viver de Luz e foi revelador (clique aqui e aproveite para saber quais são os próximos retiros de silêncio em Inkiri Piracanga). Fui com uma intenção, quase científica, de anotar como que eu estava fisicamente, como estava meu corpo. Ao longo das semanas, fui tendo muita clareza sobre questões profundas da minha vida. E foi aí que eu decidi ficar aqui, decidi me dedicar à Comunidade Inkiri”.

Foto da Maira Sagnori mostrando as mãos, parte da série Mulheres Inkiri: voz em mãos
Fotos: Vini Teles e Gustavo Pains

No mesmo ano, Maíra também fez o curso de Leitura da Aura (clique aqui para ver o calendário dos cursos da Escola da Aura). “Hoje, estou muito feliz com o movimento de me tornar professora da técnica da Leitura da Aura com foco na Natureza. É um presente! A gente descobrir e explorar a nossa intuição, com o apoio das forças da natureza. Com a magia da conexão com as plantas, dos animais. E está sendo muito rico explorar isso”, revela.

“Esse trabalho muito prático de cuidar da nossa água, dos nossos resíduos, de lidar todos os dias com a matéria, e poder ter esse espaço no meu dia, na minha vida, para fazer um trabalho muito profundo espiritual é o que mais me ancora em Inkiri Piracanga, é o que mais me faz falar ‘esse é meu lugar’. Acreditando que poderia mudar o mundo, eu encontrei uma Comunidade que confiou em mim. Que falou ‘vai lá, pode ser guardiã desse lugar. Pode produzir suas mudas. Pode plantar e fazer essa mudança’”.

Atualmente, Maíra é responsável pelo Ecologia Inkiri, núcleo de gestão ambiental que desenvolve práticas em regeneração e sustentabilidade, e também capitaneia a Escola da Natureza Inkiri, através da qual se conecta com pessoas de diversas partes do mundo ao facilitar cursos de permacultura e vivência em comunidade (clique aqui e confira as próximas turmas da Escola da Natureza). “É isso que me dá alegria: ver as crianças comendo as frutas que a gente colhe aqui e pessoas saindo desse lugar de consumidores dos recursos do mundo para um lugar de produtores de recursos e geradores de mais vida, de felicidade, de alegria”.

Um comentário a “#MulheresInkiri: Maíra Sagnori, transformando o mundo a partir do cuidado com a terra

  1. Parabéns, minha filha. Acabei de chegar de Macaé de Cima. Foi essa visão de mundo que tentei passar para meus 6 filhos. Agora você passa para os seus.

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