Por Maíra Sagnori e Marcia Vargas Cortines Peixoto (Escola da Natureza Inkiri – Piracanga/BA)

Nos últimos anos, muito tem se falado sobre a relevância das abelhas e sobre problemas relacionados ao aumento das mortes de enxames que vem ocorrendo em diferentes partes do planeta. A principal causa se deve principalmente ao uso excessivo de agrotóxicos e também à perda de habitat, decorrente do desmatamento e da supressão da vegetação. Além de produzirem mel e outras medicinas de grande interesse e apreciação para nós, seres humanos, as abelhas têm um papel fundamental para a perpetuação da vida e a reprodução de diversas espécies vegetais e animais.

Em ambientes naturais, ao lado de outros agentes polinizadores, as abelhas nativas são responsáveis pela reprodução de diversas famílias da flora, aumentando a produtividade e a variedade dos vegetais através da polinização cruzada. Seu trabalho é tido como um serviço ecológico-chave para a manutenção e a conservação dos ecossistemas.

As abelhas nativas possuem papel estratégico na reconstituição de florestas tropicais e na conservação de remanescentes florestais, podendo voar até as árvores mais altas e trabalhar na regeneração das florestas primárias. Na busca de pólen e néctar, esses insetos polinizam plantações de frutas, legumes e grãos. Uma polinização indispensável, pois é através dela que cerca de 80% das plantas se reproduzem.

Como alertava Einstein,“se as abelhas desaparecerem da face da Terra, a humanidade terá apenas mais quatro anos de existência. Sem abelhas não há polinização, não há reprodução da flora. Sem flora não há animais. Sem animais não haverá raça humana.”

Assim, as abelhas afetam a nossa vida diariamente sem que percebemos. Aproximadamente dois terços dos alimentos que ingerimos são produzidos com a ajuda da polinização delas (Fonte: Blog do Mata Nativa).

Desta forma, falar da conservação de abelhas é também falar da conservação da vida em geral. Um convite para pensarmos de forma sistêmica, onde a existência só é possível se observarmos as múltiplas relações entre espécies e reconhecermos a interdependência entre elas. Ou melhor: a impossibilidade do ser humano existir sem conservar as outras milhares de espécies que, direta ou indiretamente, contribuem para a sua existência.

Aqui em Inkiri Piracanga, no final de 2018, iniciamos a criação de abelhas nativas sem ferrão com o intuito de promover um contato maior com diversas espécies de abelhas indígenas, ser um polo de referência em educação ambiental e conservação dessas espécies, além de integrá-las nos trabalhos de reflorestamento e produção de alimentos que é feito nesse território.

O projeto que cuida das colméias de abelhas em Piracanga se chama Bee Inkiri. Ele conta com um meliponário – onde ficam concentradas as caixas ecológicas das colméias -, além de algumas caixas posicionadas dentro de sistemas agroflorestais para fortalecimento dos cultivos e incremento da produção.

Entre os dias 23 e 26 de agosto teremos o curso Let it Bee – Eco FRIENDLY. A professora Genna Sousa vai ensinar sobre o fantástico mundo das abelhas e vamos apresentar também o trabalho de reflorestamento e produção de alimentos que escolhemos na Comunidade Inkiri. Esse curso é aberto a todos que querem entender como as suas ações cotidianas podem contribuir para a preservação e expansão das florestas, e ter uma vida mais sustentável no campo ou na cidade”.

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Maíra Sagnori de Mattos é graduada em Ciências Biológicas na Universidade Federal do Rio de Janeiro, com atuação nas seguintes áreas: educação ambiental, agroecologia e permacultura. Possui experiência em implantação e manejos de agroecossistemas e recuperação de áreas degradadas. Antes de vir para Inkiri Piracanga, atuou em agricultura familiar, junto a cooperativas e associações de agricultores da região periurbana do Rio de Janeiro, e também em comunidade tradicional (caiçaras).

É membro da Comunidade Inkiri em Piracanga, na Bahia, é responsável pelo Ecologia Inkiri, núcleo que desenvolve alternativas práticas em sustentabilidade, e faz parte da Escola da Natureza Inkiri, que oferece cursos de permacultura e vivência em comunidade.

Marcia Vargas Cortines Peixoto é graduada em Ciências Biológicas pela UFRJ, Brasil e Pós graduada em Agroecologia pela UPO, Espanha. Atuou nas áreas de agroecologia, criação de abelhas, educação ambiental e alimentar, culinária e vida comunitária.

Desde 2012 vive em Comunidades intencionais e Ecovilas, e se inspira especialmente em Tamera, Portugal, uma comunidade e Centro de Pesquisa para a Paz comprometida com a criação e apoio de projetos engajados em promover uma mudança sistêmica e o desenvolvimento de comunidades baseadas na confiança, transparência e cooperação entre todos os seres.

Atualmente habita em Piracanga e se envolve com projetos de educação para a sustentabilidade, Meliponicultura e Agroecologia.