Juliana Faber, de Inkiri Piracanga, durante a oficina “Qual o seu papel no ciclo das águas?”, em Brasília

Inkiri Piracanga marcou presença na 8ª edição do Fórum Mundial da Água, no Fama (Fórum Alternativo Mundial da Água) e na Vila Cidadã. Os três eventos paralelos aconteceram em Brasília entre os dias 17 e 23 de março e receberam, por dia, mais de 85 mil participantes do mundo todo. Nossa maior defensora das águas, que é membro da Comunidade Inkiri e raiz da Plante!, Juliana Faber, esteve entre eles participando de inúmeras atividades. Ela também apresentou o modo de pensar e agir do Instituto Inkiri por meio de painéis, oficinas e outras ações.

As participações nos eventos abriram as portas para ótimas reflexões, para encontros, muitos reencontros e também para o desenvolvimento de novas perspectivas para os olhares sobre a água em Inkiri Piracanga, como:

  • O estudo e aplicação da água estruturada;
  • Criação de uma estação meteorológica local;
  • Desenvolvimento de maneiras para medir a capacidade do lençol freático;
  • Aplicação de indicadores biológicos para medir a saúde do organismo água

Ao apresentar um painel no Fórum Mundial sobre a “Água e Direitos da Natureza”, Juli percebeu que a ação baseada na autorresponsabiidade e a visão integrativa aplicada no Instituto Inkiri não são só inovadoras e transformadoras, mas podem chegar a ser revolucionárias.

“Enquanto se fala de cuidado com a água, as pessoas estão falando de saneamento, de acesso à água, estão falando de regeneração de corpos d’água, de nascentes, mas poucos estão falando dessa atitude pessoal e de pequenos coletivos de uma forma cíclica e completa. Pouco se fala deste espaço de você se tornar responsável pelas suas águas e das águas do seu entorno”, defende. “E foi nesse sentido que tive alguns entendimentos desse tema ‘Água e Direitos da Natureza’ como algo que sinto que temos que nos aprofundar”.

DIREITOS DA NATUREZA E NOVOS DESAFIOS

Manifestação de participantes do Fórum Alternativo Mundial da Água contra a privatização de reservas e fontes naturais

Juli afirma que essa percepção durante o evento instigou o interesse em relação aos Direitos da Natureza. Esses direitos são basicamente a compreensão do equilíbrio entre o que é bom para os seres humanos também deve ser bom para outras espécies e para a natureza.

No Brasil, juridicamente, o conceito ainda não é uma plena realidade, mas já foi aplicado em processo pelo MPF (Ministério Público Federal). O Equador, por exemplo, é um país que tem sólida definição do termo em sua Constituição.

“Percebi que o nosso grande desafio ou nosso grande propósito aqui em Inkiri Piracanga neste momento já não é mais só fazer com que as pessoas usem os produtos 100% biodegradáveis quando elas chegam aqui, mas sim que elas percebam suas responsabilidades individuais de fazer isso em outros lugares. Manifestar esse poder de transformação no lugar onde se está”, diz.

“A única forma de as pessoas se perceberem sensíveis quanto à água é se perceberem como água”, afirma Juli. “Se perceber enquanto natureza! A partir do momento que me percebo quanto natureza, como ser integrante deste ciclo completo, é que consigo gerar a transformação”, especifica.

ENCONTROS, REENCONTROS E REFLEXÕES

Juliana participou do debate sobre a água na pré-estreia do Manual de Sobrevivência do Século XXI

Além do painel no Fórum, Juli ministrou uma oficina na Vila Cidadã (com o tema “Qual o seu papel no ciclo das águas?”), participou da pré-estreia e do bate-papo sobre o episódio da água da série Manual de Sobrevivência do Século XXI (do ator Marcos Palmeira e do cineasta João Amorim), também esteve em uma conversa sobre a CSCN-Brasília (Comunidade que Sustenta a Cosmetologia Natural), entre outras atividades, como a visita técnica ao sítio do CSA (Comunidade que Sustenta a Agricultura) em Planaltina.

No Fórum Alternativo, o slogan era “Água Não é Mercadoria”. O evento – um movimento de resistência – é uma busca pela unificação da luta contra a tentativa de grandes corporações de privatizar reservas e fontes naturais de água. Lá também foi apresentada a Carta do Seminário Águas pela Paz – ocorrido em janeiro de 2018 e que também contou com a participação do Instituto Inkiri.

“Senti uma forte energia de reação no Fama e, apesar de nos identificarmos com a causa defendida, me encontrei ao ouvir os discursos de Maria Alice Freire (Conselho Internacional das Treze Avós Indígenas), Vera Catalão (UnB – Universidade de Brasília) e Nelton Friedrich (Itaipu Binacional), que foram permeados de muita prática, de um lugar de ação e não de reação, muito mais semelhante à nossa proposta”, recorda Juli.

Na Vila Cidadã, a parcela popular do evento, Juli acompanhou o pessoal do Cirat (Centro Internacional de Água e Transdisciplinaridade), que é uma entidade agregadora de iniciativas que se propõem a criar soluções para o cuidado com a água de forma transdisciplinar.

“Foi legal interagir com as pessoas, que assim como nós, observam a questão da água através da perspectiva transdisciplinar. Encontramos muitas iniciativas lindas, com muito conhecimento. Encontramos pelo caminho muitos especialistas dispostos a nos ajudar a suprir as nossas necessidades”, afirma.

NOVAS PERSPECTIVAS PARA A AÇÃO

Painel “Água e Direitos da Natureza” no Fórum Mundial da Água

Juli concluiu que a participação de Inkiri Piracanga nos eventos foi a oportunidade de criar muitas novas redes e fortalecer as antigas, tudo de uma forma bem prática. “O que queremos é jogar as sementes e levar o cuidado com a água para muitos lugares. Reconhecemos que a única forma de fazermos isso é abrindo diálogos de coração para coração, enfrentando o desafio de encontrar esse ponto sensível entre as pessoas”.

“Percebi que temos muito o que fazer e aprimorar no Instituto Inkiri, mas se olharmos em relação ao todo, estamos muito bem e coerentes em nossas ações integrativas, no que acreditamos, nessa visão holística, e na aplicação em escala comunitária das técnicas que fazemos por aqui”, celebra.


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