Tudo na vida tem começo, meio e fim. E a vida não se encerra aos 50 anos. Esse é um momento para alcançar a clareza, ressignificar tudo o que foi aprendido e até mesmo renascer com muita alegria e disposição, realizando sonhos. Quem sabe até aqueles que foram deixados para trás. A psicóloga Cristina Guimarães, de 62 anos, afirma que a nossa sociedade alimenta uma tendência de exclusão contra quem tem mais de 50. Mas, os efeitos dessas crenças limitantes podem ser revertidos através de novas experiências de vida.

Grupo guiado por Cristina Guimarães (à esq.) vive novas experiências para ressignificar os aprendizados da vida

“Para romper com os programas mentais que sustentam o sentimento de ‘estou esperando a morte chegar’ é necessário reeducar o nosso próprio cérebro. É reconhecer-se na Idade da Sabedoria – período quando começam a nascer sensações na vida que estão relacionadas a como ajudar as pessoas a viver”. Ela lembra que a expectativa de vida do brasileiro hoje pode passar dos 80 anos e que não é possível considerar o período que se inicia aos 50 como um fim.

“Hoje temos ainda 20, 30, 40 anos de vida pela frente! Vou esperar a morte por 40 anos!? O que eu vou fazer da minha vida? Este é um momento de resgatar os sonhos deixados para trás. Eu brinco ao dizer que precisamos fazer novas sinapses ao praticar coisas que nunca fizemos para ensinar o nosso cérebro de que a vida recomeçou”.

5 perguntas para ressignificar a vida

  • O que já não é mais necessário, está ultrapassado, pesado e me impede de avançar?

  • Como me desligar do que não necessito mais?

  • O que construí até agora que quero manter?

  • O que deve ser ressignificado?

  • Qual é o novo que anseio descortinar, clarear, mas que ainda não está claro?

Novas sinapses e muita vitalidade

Ver o sol nascer às 4h50 em uma praia maravilhosa. Caminhar pela areia neste horário, fazer yoga, meditação, dar um mergulho no mar ou partilhar experiências com amigos em volta da fogueira. Essas podem ser novas experiências para muita gente. “E essas experiências são o máximo! Isso vira a grande brincadeira de ‘fazer novas sinapses’”.

Novas experiências acontecem em contato com a natureza, com a espiritualidade, partilhas e união entre as pessoas

Hoje, a psicóloga promove a Aldeia da Sabedoria, um retiro e um programa de imersão que trabalham com grupos de pessoas que estão dando um novo olhar para a vida, a partir de algumas ações, como:

  • Conviver junto
  • Ter contato com a natureza
  • Espiritualidade na prática
  • Vivenciar as artes
  • Possibilitar troca de experiências e autoconhecimento

“A Aldeia da Sabedoria tem a proposta de depreender o que foi aprendido durante a vida. É um resgate dos conhecimentos. Não é fazer mais um curso, mas sim revelar o que você realmente aprendeu durante a sua vida”, explica.

Os grupos da Cris mostram para os jovens que ainda têm muita vitalidade. “Levantamos na hora do sol nascer e vamos até as 22h sem parar. Aí as pessoas notam: ‘Nossa, estamos com tanta vitalidade!’ É claro! Você está rompendo com programas mentais que dizem que é necessário parar, fazer cesta, andar devagar”, exemplifica.

Hora de realizar sonhos e deixar um legado

Cris conta a história de uma pessoa que sempre sonhou em ser bailarina, mas não foi. Essa mulher se perguntava como iria ser bailarina aos 60 anos. “Não se trata de virar uma bailarina com sainha e dançar na ponta do pé, mas sim de poder dançar. Que tipo de dança você pode dançar? Daí a pessoa percebeu que poderia fazer isso e simplesmente saiu dançando”.

A psicóloga usa a base teórica do desenvolvimento biográfico da Antroposofia e estimula os participantes a reconstruirem a própria biografia. Uma negra, por exemplo, relatou como havia sofrido o racismo desde pequena. A partir da experiência dela surgiu a proposta de trabalhar com as crianças negras nas escolas. “Ela viveu essas marcas e agora ressignificou sua vida e busca se doar para ajudar os outros a partir de sua própria experiência biográfica”.

“Após os 50, 60 anos, a vida só tem sentido se você deixar a sua marca, seu legado. Talvez não seja mais hora de trabalhar em um banco, por exemplo, mas de se perguntar ‘o que eu vou doar, com prazer, para tornar esse planeta melhor?’”, conclui a psicóloga.


Para saber mais, confira as próximas edições da Aldeia da Sabedoria

Programa de Imersão | Aldeia da Sabedoria (para maiores de 50 anos)
De 16 de agosto a 12 de setembro

Retiro | Aldeia da Sabedoria (para maiores de 50 anos)
De 28 de agosto a 01 de setembro


Comunidade Inkiri

Esse texto foi escrito pela Comunidade Inkiri Piracanga. Com mais de 20 projetos, nos dedicamos a transformar nossa relação com a natureza, educação, alimentação, artes e sociedade. Temos como princípios o autoconhecimento e a espiritualidade na prática. Isso inclui muito trabalho interior e na matéria. Situada na Ecovila Piracanga, na Bahia (Brasil), nossa comunidade atua para que a natureza de Amor e Verdade do Ser Humano possa ser manifestada, inspirando cerca de 2 mil visitantes que recebemos anualmente de várias partes do mundo. Saiba como nos visitar.


6 comments to “Idade da Sabedoria: a vida recomeça aos 50 anos

  1. CHEGUEI NOS MEUS 75 ANOS, com vigor físico, danço , caminho e faço reflexão, estou sempre aprendendo e minha caminhada não foi tão fácil, aos 14 anos , para sobreviver aprendi a profissão de alfaiate, minha mãe sempre se preocupou pelo futuro de seus filhos, essa profissão não era a minha, por ela sobrevivia, então entrei para ser soldado do corpo de bombeiros,onde fiquei sete anos de lá concursado entrei para o cargo de agente da POLÍCIA CIVIL (investigador de polícia), formei em direito e ainda trabalho um pouco, depois de me aposentar na policia, para viver em paz consigo mesmo o meu caminho foi pela retidão de conduta: ( sem vícios) mas minha compreensão dsa espiritualidade me deu o conforto de fé e esperança, para quem caminha na estrada do bem.

  2. Congratulo-me com todos os que estão entrando na terceira idade e estão trabalhando na busca de ressignificação da vida. Esse é o caminho para a longevidade com paz de espírito. Abraços

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