23.03.2018 - 24.03.2018

Da cultura do preço, para a cultura do Apreço.

O curso de Comunidades que Sustentam a Agricultura (CSA) é um convite para quem deseja cultivar uma relação mais profunda e consciente com a alimentação.

A CSA é uma tecnologia social praticada no mundo todo para criação de novas dinâmicas de vínculos entre quem planta e quem consome alimentos, deixando o antigo paradigma de mercado baseado no preço, para criar relações de confiança, aprendizagem e apoio mútuo entre as pessoas, a Terra e seus ciclos naturais.

Durante 2 dias de imersão, vamos conhecer os fundamentos filosóficos que compõem a tecnologia social e suas ferramentas práticas para estruturação e aprimoramento de comunidades que sustentam a agricultura.

O curso é destinado a:

  • Membros de CSA: agricultores e coagricultores
  • Potenciais membros de CSA: futuros agricultores e coagricultores de CSA
  • Profissionais que atuam com promoção da saúde, agricultura familiar, economia solidária ou desenvolvimento comunitário interessados em promover CSA.

Os conteúdos abordados estão estruturados em 5 dimensões integradas:

Dimensão Econômica:

  • Fundamentos da economia associativa e economia da consciência aplicados à CSA.
  • Ferramentas e boas práticas na estruturação e gestão financeira de uma CSA.

Dimensão Nutricional:

  • Princípios da Nutrição Integral aplicados à CSA: hidratação, alimentação, sono, movimento, fitoquímicos, contato com a Natureza e clareza do propósito.
  • O uso dos tempero e a formação de afeto através da alimentação.
  • Sazonalidade dos alimentos e a parceria entre nutricionistas e agricultores no planejamento do plantio e no dia a dia da CSA.
  • Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANC) em CSA: o cultivo consciente do patrimônio alimentar brasileiro.

Dimensão Agroecológica

“O maior desafio de nosso tempo é filosófico” 

Ernest Götsch

  • Introdução à Alfabetização ecológica: Princípios da Natureza aplicados ao plantio e manejo do solo em CSA.
  • Ferramentas de planejamento da produção agrícola em sistemas agroflorestais para CSA. Exemplos de CSA em Brasilia, Empreendimentos e famílias. Considerar a realidade da Ecologia: viveiro, agrofloresta, etc.

Dimensão Artística

A Escultura Social pode ser definida em como nós moldamos e damos forma ao mundo em que vivemos. É a escultura vista como um processo evolucionário onde todo ser humano é um artista.
Joseph Beuys

  • Introdução à escultura social: CSA como obra de arte social, viva, dinâmica e transformadora.
  • Articulação de uma CSA: passo a passo para começar uma CSA.
  • A arte de facilitar diálogos para criação de comunidades intencionais: princípios, acordos, comissões e papeis.
  • Os alimentos invisíveis da agricultura consciente: contemplação, silêncio, confiança e apreço.
  • Oráculo da alimentação: o cultivo do alimento sutil em comunidades resilientes. 

A partir de uma visão holística da alimentação e da integração com a Natureza, vamos degustar alimentos, plantar, conhecer histórias da CSA no Brasil e no mundo e resgatar nossa conexão ancestral com a agricultura. Atualmente, as diversas CSA no mundo procuram não apenas reverter o fluxo de abandono das zonas rurais, como essencialmente promover a autoestima das pessoas interessadas em lidar com a terra, numa perspectiva socioeconômica integrada com a cidade, gerando uma nova economia baseada na cultura do apreço. Vista como uma escultura social, reconhecemos a CSA como uma obra de arte social, viva e dinâmica, na qual as pessoas são escultoras e também a própria matéria prima, pois a transformação se estabelece nelas próprias, através de suas ações e intenções e são potencializadas pela materialização de seu próprio alimento.


O que é CSA?

CSA vem da expressão em inglês Community Supported Agriculture, que significa Comunidade que Sustenta a Agricultura.

Neste modelo, a agricultura é apoiada pela comunidade. O agricultor deixa de vender seus produtos através de intermediários e conta com a participação das pessoas para o financiamento e escoamento da sua produção.

 

CSA é uma tecnologia social que apresenta alternativas para apoiar a produção local de alimentos orgânicos, promovendo espaços de interação entre as pessoas na cidade e no campo. Quem escolhe fazer parte de uma CSA, deixa de ser um consumidor e se torna um coagricultor. Passa a colaborar para o desenvolvimento sustentável da região, valorizando a produção local, conhecendo de perto de onde vem o seu próprio alimento e podendo também participar da produção.

Para formar uma CSA é preciso estabelecer relações de confiança. O agricultor apresenta todas as informações sobre os seus custos e meios de produção, a partir daí os custos são divididos em cotas mensais entre os coagricultores, passando a comunidade CSA a ser a financiadora da produção do agricultor. A comunidade assume o compromisso de financiamento, pagando antecipadamente pelos alimentos que serão produzidos. Dessa forma, o custo individual de cada tipo de alimento deixa de ser relevante, passa-se a valorizar uma visão sistêmica da produção como um todo e tornam-se visíveis outros aspectos realmente necessários para sustentar o tipo de agricultura que a comunidade deseja (necessidades dos agricultores, tarefas de organização da comunidade, riscos associados à produção, entre outros).

Tudo que for colhido já está pago e é destinado aos coagricultores. Na CSA não há atravessadores ou o risco de não escoamento da produção. Por isso, o agricultor tem mais segurança de que sua produção já tem destino certo e pode se dedicar à terra com mais alegria e satisfação! Os alimentos são distribuídos entre os membros da comunidade, entregues em Pontos de Convivência próximos de suas residências, semanalmente. Os coagricultores são responsáveis pelo recolhimento dos seus próprios produtos, de acordo com a cota que possui na comunidade.

Uma cota prevê aproximadamente 10 itens contendo folhas, raízes, legumes, flores e frutas. Famílias maiores podem optar por adquirir 2 cotas da comunidade, chegando a 20 itens diversificados. O valor da cota poderá variar em cada CSA, pois depende dos custos de produção e do número de coagricultores envolvidos. Podem participar da CSA outros produtos complementares como Pão, Ovos, Queijos, Mel e o que mais a comunidade for capaz de apoiar e desejar sustentar.

CSA não consiste em um sistema de compras coletivas de orgânicos ou em um serviço de entrega de cestas. CSA também não é uma cooperativa de produção. A Comunidade que Sustenta a Agricultura se estabelece a partir do compromisso entre agricultor e coagricultores por um período determinado, geralmente seis ou doze meses nos quais dividem tarefas de apoio da comunidade, como o cuidado com os pontos de convivência, a comunicação no grupo e o controle financeiro.

 

Instrutores do Curso Introdução à CSA:

 

Renata Navega

Renata Navega é permacultora, astróloga e facilitadora de processos participativos há mais de dez anos. É diretora da Matres Socioambiental, fundadora da Rede CSA Brasília e da CSCN – Comunidade que Sustenta a Cosmetologia Natural. Desenvolveu projetos de Segurança Alimentar junto à FAO/ONU, o IICA e a Embrapa em Diálogos de Cooperação Internacional do Brasil, Paraguai e Uruguai. Facilita diálogos de programas de conservação de espécies ameaçadas de extinção do Brasil junto ao ICMBio, Ministério do Meio Ambiente e o Global Environmental Fund (GEF).  Coordenou ações de Promoção da Saúde da Mulher e da Criança Indígena em comunidades indígenas do Médio Xingu no Plano de Desenvolvimento Regional Sustentável do Xingu na Amazônia.  Acredita no poder de realização dos sonhos a partir de comunidades intencionais e vê na agricultura consciente um caminho de transformação do ser humano para criação de um realidade mais justa, amorosa e solidária.

Thiago Leão
Thiago Leão é ativista ambiental, permacultor e eterno aprendiz da maior escola que há: a Natureza. Alguém que não acredita em coincidências, mas acredita fortemente no poder da tribo, da fé e da força de vontade. Acredita que a grande transformação do nosso século vem de dentro. Ser a mudança. Viver a mudança.

Apoiou projetos de inserção de destinos de natureza e ecoturismo no mercado internacional junto a Embratur. Acompanhou a linha de pesquisa de demarcação e uso sustentável das terras indígenas, junto a cooperação alemã GIZ. Acompanha e pesquisa projetos em agroecologia em Brasília. Dentro da Nutrição Integral, possui uma pesquisa pessoal em movimentação corporal livre e orgânica, escalada de árvores e yoga. É coloborador como educador ambiental e de escalada em árvore pela Mangarandú, ONG com escopo em aprendizagem com a Natureza.

Valores por pessoa

Inclui: curso + alojamento + alimentação (desde o jantar na véspera do início do curso até o café da manhã do dia seguinte ao término do curso) e taxa de pegada ecológica. Os valores podem ser parcelados em até 6 vezes no cartão de crédito ou pagos com 5% de desconto à vista no boleto.

  • Dormitório Coletivo (até 10 pessoas) ou Cabana: R$ 592
  • Dormitório Triplo: R$ 763
  • Dormitório Duplo: R$ 859
  • Dormitório Individual: R$ 1.096