A Escola Inkiri se consolidou numa nova fase no seu propósito de transformar a educação. Dessa vez, a nossa escola que foi no ano passado reconhecida pelo MEC (Ministério da Educação) como uma das 200 mais criativas e inovadoras do país, está virando inspiração para outros projetos e motivando parcerias com o poder público. Essa mudança de paradigma deve fazer da Escola Inkiri e de outras iniciativas educacionais da Península de Maraú (BA) “referências de impacto mundial nos próximos anos” – quem afirmou isso foi o educador José Pacheco. Ele propõe um novo modelo de comunidades de aprendizagem sustentado pela ética e formação do aluno como cidadão participante. Esse caminho é seguido pela Escola Inkiri, que é estruturada por grupos e trabalha os conteúdos através de projetos que envolvem a comunidade local.

Durante a realização da segunda imersão do Gaia Escola Inkiri Piracanga, ocorrida entre os dias 7 e 12 de maio, que é um curso para preparar educadores para esse novo modelo de educação, Pacheco participou de um encontro com o secretário municipal da Educação de Maraú, Antonio Carlos Silva Santos, ao lado de representantes da UFBA (Universidade Federal da Bahia), de autoridades do município de Lauro de Freitas (BA), de educadores da Escola Inkiri e unidades de ensino dos povoados do Caubi, Cassange e Algodões.

Educador José Pacheco ao lado do secretário da Educação de Maraú, Antonio Carlos Silva Santos

A pauta tratou da valorização humanística dos alunos a partir da autonomia das escolas, do engajamento entre as unidades de ensino e suas comunidades e da nova possibilidade de consolidação de convênios entre as instituições e a administração pública.

Na visita a Inkiri Piracanga, o secretário da Educação de Maraú afirmou ser favorável à continuidade do convênio existente entre a prefeitura e a Escola Inkiri. Essa parceria permite que os estudantes sejam matriculados em uma escola municipal, o que os oficializa como alunos da rede de ensino. O próprio convênio é um grande passo para a aplicação do modelo de comunidade de aprendizagem e aproxima escolas e comunidades.

“Me apaixonei pelo projeto da Escola Inkiri. A secretaria sempre quis ajudar e tem o interesse na continuidade dessa parceria”, disse. “Maraú está recebendo algo inovador e impactante na Educação. Está claro que o que está sendo feito aqui poderá refletir no mundo, começando pela própria vida de nossos povoados e comunidades”, reconheceu o secretário.

Nasce uma rede de escolas inovadoras

Para o membro do Instituto Promar, que mantêm a Escola Jardim das Bromélias do Cassange, Marcelo Monteiro, a reunião representou um avanço. “A iniciativa de Inkiri Piracanga, a nossa lá no Cassange, mais a dos Algodões e, principalmente, a participação do poder público, nos dá muita esperança”, afirma. “Já havia um embrião de uma rede de escolas inovadoras na região e agora estamos na expectativa de dar mais um passo e aprofundar um pouco mais estas relações entre as próprias iniciativas”, comemora.

No Cassange também há um convênio com a prefeitura. A escola de lá atende aproximadamente 30 crianças em um Jardim da Infância baseado na pedagogia Waldorf. Desde 2016, um grupo de cerca de 25 crianças e jovens do Ensino Fundamental, com idades entres 9 e 14 anos, integra uma educação mais inovadora, seguindo a proposta da estrutura por projetos.

“Sinto que o que está acontecendo aqui, com a formação dessa rede, dessa verdadeira comunidade de aprendizagem, é uma oportunidade de mostrarmos para o mundo que há uma nova forma de fazer Educação”, conclui Monteiro.

Um modelo além dos muros das escolas

O educador José Pacheco afirma que a proposta educacional em expansão na Península de Maraú rompe o padrão baseado em salas de aulas convencionais, séries e a organização em disciplinas e abrange as famílias e os demais cidadãos na construção de um novo modelo gerador de desenvolvimento sustentável. Atualmente, 21 projetos de mudança prática pedagógica, fruto do processo de formação Gaia Escola e Escolas em Transição, envolvem 21 núcleos educacionais, com 63 educadores e cerca de 420 educandos nas cidades de Viamão (RS), Atibaia (SP), Ubatuba (SP), Altinópolis (SP), Petrópolis (RJ), Campos dos Goytacazes (RJ), Brasília (DF) e Maraú (BA).

“É aqui que vai nascer a nova Educação do mundo. É uma proposta de expansão da prática educacional para além dos muros, envolvendo a comunidade na consolidação de uma sociedade participativa.” – José Pacheco

No modelo proposto pelas comunidades de aprendizagem, o educador tem o papel de acompanhar e auxiliar os alunos em busca de respostas para seus questionamentos. É um aprendizado com significado que parte de uma “motivação intrínseca ou de necessidade social”.

Para Pacheco, a aprendizagem não deve depender de um edifício chamado escola. “Escola são pessoas. Não são edifícios. O tutor é um professor, ou um voluntário, ou um pai, ou uma mãe. Quem quer que seja da comunidade também é um professor”, defendeu. “O importante é que esse tutor não dê as respostas, mas faça mais perguntas ou então faça um projeto. As respostas estão na internet, nos livros, nas pessoas da comunidade ou na floresta, na natureza. O que é preciso é construir projetos, roteiros de pesquisa e estimular a busca pelas respostas”, completou.

Escola Inkiri inspirando a expansão

A representante da pró-reitoria de graduação da UFBA, Alessandra Assis, afirmou que a universidade decidiu vir a Inkiri Piracanga ao tomar conhecimento do caráter inovador do que vem acontecendo por aqui. “Já viemos entendendo que a experiência daqui deve se tornar uma referência para outras escolas e que podemos expandir esse conceito de qualidade socialmente referenciada de uma Educação que está preocupada com uma formação plena e humanizadora no exercício da cidadania”, disse.

Alessandra reforçou o interesse da universidade na formação de educadores engajados com esta nova Educação. “Só podemos formar bem os professores se entendermos a Educação Básica tanto do ponto de vista das dificuldades quanto das experiências de sucesso”.

“O que encontramos aqui na Escola Inkiri é, sem dúvida, uma referência. É toda uma proposta de organização diferenciada do processo formativo. Ela é não seriada, tem um currículo inovador e uma atenção fundamental que é criar condições para que as pessoas aprendam a aprender e se desenvolvam enquanto sujeito autônomos.” – Alessandra Assis (UFBA)


Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *