“Quando começaram as jornadas de junho de 2013, percebi que alguma coisa estava acontecendo. Não era só com o país, mas comigo. Em poucos meses entrei numa crise de angústia existencial bem profunda. Foi um período muito difícil de desconstrução, de perceber que o que eu estava criando na minha vida não fazia sentido, mas culminou num período de muita libertação e transformação. Acima de tudo, entrei num caminho (que parece sem volta) de autoconhecimento, de busca pelo que transcende. Enquanto fui pouco a pouco achando que me colocava no eixo tratando da minha crise interna, as crises externas parecem que só se intensificaram.

17 de junho de 2013. Lá estava eu na Avenida Paulista.
17 de junho de 2013. Lá estava eu na Avenida Paulista.

Morando em Piracanga ainda estou um pouco protegido de tudo o que tem acontecido nas últimas semanas, mas mesmo assim acompanho pelas notícias. O que é mais incrível com a intensidade da situação atual é que muita verdade está sendo revelada, e não estou falando de verdade política. Os nossos lados mais sombrios, aquilo que temos de mais podre dentro de nós já não consegue ficar escondido. Está tudo sendo escancarado.

Olhando para fora…

Eu vejo ódio para todos os lados. Eu vejo amigos intolerantes. Eu vejo que ninguém se escuta. Eu vejo a nossa capacidade de transformar tudo num grande espetáculo. Eu vejo multidões de “torcedores” acreditando que tudo é um jogo. Eu vejo o poder completamente corrompido. Eu vejo vítimas e algozes em todas as trincheiras. Eu vejo gente discutindo sobre capitalismo ou comunismo em 2016. Eu vejo falta de esperança.

Percebendo tudo isso acontecendo fora de mim e sabendo que o externo é só um reflexo do interno, começo a procurar em mim o que está acontecendo. Ao contrário do que o meu ego espiritual quer esconder, obviamente encontro a mesma podridão em mim.

Olhando para dentro…

Eu vejo o grande julgador que existe em mim, pois acho que estão todos completamente fora do seu juízo (praticamente o Alienista). Eu vejo o meu ego gigante me achando superior, só porque não me envolvo nessa briga, nem me deixo manipular por nenhum lado. Eu vejo o grande voyeur que existe em mim, que gosta de ouvir conversas privadas reveladas em grampos ou em gravação no camarim pós polêmica. Eu vejo o quanto de preguiça existe em mim, deixando de fazer o que preciso só pela curiosidade em ler os comentários reacionários nos posts e notícias. Eu vejo o quanto ainda me considero o dono da verdade, pois não é possível que estejam todos alienados inseridos nessa matrix da crise.

Mas afinal, é golpe ou é impeachment? É provável que não tenha a menor importância o nome que você chama ou o lado que você está, mas se você observar de perto como se comporta com relação a tudo o que está acontecendo, vai ter um mapa muito realista do grande caminho que ainda tem de cura e limpeza para realizar em si próprio.

Gratidão Dilma. Gratidão Lula. Gratidão Temer. Gratidão Cunha. Gratidão Globo. Gratidão grupo da família no whatsapp. Gratidão galera do #NãoVaiTerGolpe. Gratidão galera do pato. Enfim, gratidão a todo este circo que está armado. Temos muito a aprender com ele.”

Perfil pedro

Pedro Camilo é membro da Comunidade Tribo Inkiri e guardião do projeto de Comunicação de Piracanga.

 

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15 comments to “Autoconhecimento: o que a crise política revela sobre mim

  1. perfeito , ponderar e’ a existencia real ,temos muito ainda que crescer , espiritualmente, no amor por nos’ mesmo , e os nossoproximo , QUE o universo nos abencoe grata pela palavra ======

  2. A pergunta que devemos fazer a nós mesmos:

    Viemos “pelados” e vamos voltar com “roupa” – já ganhamos!

    O que vc tem feito para deixar o mundo melhor? Pense Nisto!

  3. Quatro anos atrás eu pus dois pés fora da Matrix. A necessidade de ($)obrevivência me fez voltar a colocar um pé de volta. Um fora e um dentro. Pela lógica daquilo do que enxergamos de mal na Matrix, uma vez (ainda) dentro dela, devemos tomar partido e defender o que de melhor poderia ocorrer naquele ambiente. Se o que desejamos fora da Matrix é a Paz, o Amor e antes de tudo o fim da exploração e desigualdade humana, só temos um lado a defender, enquanto (ainda) vivendo dentro dela. Acho que não há necessidade de ser explícito. Enquanto ainda me equilibro com apenas um dos pés na Matrix, não tenho direitos à neutralidade. Isso seria covardia. (Ainda) vivendo na Matrix, escolho defender as causas sociais, de inclusão, de mais direitos, de menos exploração, de mais justiça social. Eu não me esquivo em defender a Democracia e de ser contra o golpeachment.

  4. Tinha muita curiosidade em saber qual a reflexão de Piracanga ou das pessoas que vivem aí sobre a atual situação do país.
    Experimentei a energia de Piracanga em fevereiro desse ano, saí de Salvador em pleno fervor do carnaval para viver outras emoções nessa comunidade. Foram dias incríveis, uma outra realidade. Voltei para Salvador com outra aura notada até pelos “leigos” nesse assunto, risos. De repente esse boom de golpe, impeachment e eu no meio disso tudo, querendo me posicionar equilibradamente, usando toda a harmonia experienciada em Piracanga, mas muito difícil. Junto agora as sábias palavras de Pedro e Joaquim e me dou um norte. Obrigada!

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