Seminário Águas pela Paz, realizado em janeiro em Brasília, reuniu autoridades de diversos setores

Por Juliana Faber*

Pela primeira vez na história do planeta diversas pessoas com tantas visões diferentes se sentaram para dialogar sobre a união entre água e espiritualidade. Há poucos dias estive no evento Águas pela Paz (Seminário Internacional Água e Transdisciplinaridade – realizado em janeiro em Brasília/DF), organizado pelo Movimento Awaken Love, pelo Cirat (Centro Internacional de Água e Transdisciplinaridade) e outras iniciativas. Me tocou profundamente ver a subjetividade da água ser tratada como tema central.

Pude servir no evento e também apresentar como fazemos a gestão e o cuidado com a água em escala comunitária em Inkiri Piracanga, onde a água é um dos nossos focos principais. Piracanga também esteve presente no evento com a linda exposição de fotos do ex-membro da Comunidade Inkiri, João Vianna. 

A água é como nossos sentimentos mais profundos que precisam ser olhados. Assim, é necessário lidar com nossos sentimentos para que a cura venha cada vez mais do espaço interno da autorresponsabilidade:

  • O que estamos alimentando com nossos pensamentos palavras e ações?
  • Como estamos utilizando nosso poder?
  • Como estamos tratando nossas águas, tanto dentro quanto fora do nosso corpo?

Foi incrível ver representantes de muitas religiões e linhas espirituais, ONGs (Organizações Não Governamentais), indígenas, governo e sociedade civil unidos para criar soluções, procurando serem canais de união e amor no cuidado com a água.

O seminário foi um símbolo de uma verdadeira mudança de consciência, de uma revolução que está acontecendo. E o convite foi bem claro: confiar no amor e ter fé na humanidade, por mais difícil que isso possa parecer.

Pessoalmente, estendo esse convite. Convido cada um de vocês para dar um passo a mais no cuidado com as águas. Percebo a autorresponsabilidade como a chave, a disposição para olhar para os sentimentos.

Transcrevo abaixo palavras do querido mestre Sri Prem Baba com as quais me identifiquei completamente:

“O que estamos fazendo aqui não é pequeno… Estamos evocando uma mudança de cultura no trato com as águas no nosso mundo. É o início de um movimento que deve se desdobrar, se transformar em muitas iniciativas práticas”.

Exposições de painéis com a participação de Juliana Faber, membro da Comunidade Inkiri

Segundo Prem Baba, um dos objetivos do seminário foi a criação de uma aliança global pela conservação e uso consciente da água no planeta. “A água é para todos – é preciso ter coragem de entregar as armas e sermos compassivos, evoluirmos a ponto de amarmos todos os seres e servirmos todos os seres. E, na base desse projeto evolutivo da raça humana, está o entendimento que a água é para todos. Mas, para que ela seja para todos, precisamos nos unir para cuidar dela. Esse cuidado envolve vários aspectos, o consumo não pode ser infinito e as ações devem ser individuais ou de pequenos grupos comunitários”.

No seminário, Baba destacou uma visão em que estamos em total acordo aqui em Inkiri Piracanga. A cura se dá através da reforma íntima e o exterior é um reflexo do nosso interior. “Estamos reproduzindo lá fora a mesma inabilidade que temos de lidar com nossos sentimentos, então é certo que seguiremos nos distanciando da água e buscando ela cada vez mais longe.”

Entre os pontos destacados por ele, sempre relembrando que a água tem vida e deve ser tratada como uma entidade viva, estão:

  • Encontrar a felicidade dentro
  • Usar a água localmente
  • Mudar a cultura
  • Plantar água, fazendo renascer as florestas
  • Diminuir o lixo

O mestre espiritual argumentou que todo esse trabalho começa com o autoconhecimento. “Essa cultura de paz começa com você cuidando das suas águas interiores, cuidando dos sentimentos negados, se libertando das mágoas e ressentimentos, se harmonizando com o seu passado para que você seja livre para poder viver no momento presente. Que é o campo das infinitas possibilidades, o campo da potencialidade pura.”

Aqui em Inkiri Piracanga temos buscado viver essas possibilidades de cura das águas internas através do trabalho de autoconhecimento – um de nossos pilares – ou por nossas iniciativas para cuidar das águas externas, com a produção e consumo exclusivo de produtos de higiene e limpeza biodegradáveis, pelo plantio de florestas, cuidado com os resíduos e até mesmo pela busca de parcerias para fechar ciclos ecológicos completos, envolvendo mitigação das emissões de gás carbônico, estímulo à produção local e consumo de alimentos orgânicos e a conscientização sobre todos esses fatores.

O resultado disso tem sido a transformação das ações do Instituto Inkiri em referência. E este foi um dos motivos para participarmos do Água pela Paz. Estamos buscando o “elo perdido entre os aspectos subjetivos e objetivos da vida”, como disse o Prem Baba. Por isso, reforço o convite a você a cuidar de suas águas internas e externas.

“O elo perdido entre os aspectos subjetivos e objetivos da vida é o auto-conhecimento, ele precisa acontecer em escala. Precisamos de inteligência espiritual na forma de caráter e valores, incluindo a coragem que nos possibilita tomar as decisões e fazer as escolhas adequadas. As águas estão nos ensinando a criar união, a fazer paz.”
 

é membro da Comunidade Inkiri, educadora ambiental e se dedica a sensibilizar as pessoas da conexão profunda entre as plantas e as águas.


8 comments to “Água e espiritualidade: diálogo profundo e transformador

  1. Estuve en Piracanga en un retiro de permacultura hace un par de años. Conocí el esmero del cuidado de las aguas y las personas. Fue una linda experiencia y ahora en Colombia hacemos cuidado de las personas y el ambiemte e invitamos a las personas a hacer cambios en sus vidas para cuidar nuestra madre tierra. Me siento feliz de formar parte de los cuidadores planetarios de la pacha mama.

  2. Ju, você é demais! Gratidão por existir e fazer tanto a diferença! Te adoro e te admiro. Me inspiro em vc, na sua genuinidade tão linda!
    Beijocas,
    Virgínia

  3. Muito massa Juli. O modelo de saneamento hoje ainda praticado externamente é reflexo de como olhamos (ou melhor, escondemos) para os nossos esgotos internos. E nesse contexto está o uso adequado das águas interna e externa. Parabéns por estar lá. Abração

  4. Tive a oportunidade de participar deste seminário belíssimo e importantíssimo para o Brasil e o mundo, no que se refere a consciência que devemos ter com a nossa água.
    Muita integração entre os povos, raças, religiões e nações.
    Quebra de paradigmas, tabu e o despertar de uma nova consciência interna e externa foram alguns dos legados marcados para sempre em minha vida e na vida da minha filha adolescente.
    Visitei a apresentação da Juliana, parabéns pelo belo trabalho.

    1. Oi, Fabíola! Foi um evento muito lindo mesmo! Muito alinhado com toda a atenção com a água que temos aqui em Inkiri Piracanga e a Juli é a grande articuladora deste trabalho que fazemos! Gratidão!

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